segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Mercado externo 'salva' processamento de cacau






Mercado externo ‘salva’ processamento de cacau

As quatro maiores empresas de processamento de cacau instaladas no Brasil – ADM, Cargill, Barry Callebaut e Indeca – utilizaram no ano passado mais cacau para a fabricação de subprodutos (como manteiga e pó de cacau) do que o esperado inicialmente. A valorização do dólar em relação ao real tornou os subprodutos de cacau produzidos no Brasil mais competitivos no mercado internacional, aumentando o interesse das indústrias chocolateiras mundo afora pelas matérias-primas brasileiras.
Essas companhias, que representam 95% da amêndoa moída no país, processaram 219 mil toneladas em 2015, uma redução de 2% em relação ao ano anterior, de acordo a Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que representa o quarteto.
A expectativa do setor no início de 2015, então temoroso com a forte perda de renda do brasileiro, era de que as fabricantes de chocolate cortariam as compras de matérias-primas (subprodutos do cacau) e fariam o processamento cair 9%. Veio então a tábua de salvação: a valorização do dólar ante o real, que atraiu a demanda externa para o Brasil.
"Se dependesse do mercado interno, o processamento teria sido muito ruim. Com o aumento das exportações, deu para aliviar a moagem", afirmou Walter Tegani, diretor-executivo da AIPC.
De fato, os embarques das indústrias deram um salto em 2015. O crescimento foi puxado basicamente pela manteiga de cacau, cujas exportações cresceram que 61% em volume (26,9 mil toneladas) e 40% em receita (US$ 164,8 milhões).
A demanda externa foi puxada pelos Estados Unidos, onde o consumo tem crescido com a recuperação econômica. Segundo dados compilados pelo Valor a partir do serviço de estatísticas do Ministério da Agricultura, os americanos importaram praticamente metade da manteiga de cacau exportada pelo Brasil em 2015, tanto em receita (US$ 81,7 milhões) como em volume (14 mil toneladas).
Os americanos roubaram o lugar da Argentina como principal destino da manteiga de cacau brasileira, já que os vizinhos também reduziram o volume importado desse produto do Brasil. Foram embarcadas ao vizinho 8,2 mil toneladas de manteiga de cacau, que resultaram em uma receita de US$ 54 milhões – recuo de 2% e 10%, respectivamente.
Já as exportações brasileiras dos outros subprodutos do cacau, como o cacau em pó e a pasta de cacau, apresentaram queda, mas com variações mais modestas e insuficientes para ofuscar o aquecimento dos embarques da manteiga. Segundo Tegani, o aumento das exportações da manteiga (responsável pela consistência do chocolate) está relacionada à mudança do perfil dos compradores.
O executivo afirmou que nenhuma das empresas arriscou um prognóstico para 2016, nem ao menos uma sinalização de recuperação ou nova queda do processamento. "Tudo indica que mercado interno não vai reagir e que o dólar deve continuar alto", sinalizou.
O setor está alerta, porém, à competição com as indústrias de outros países, sobretudo da Indonésia, Costa do Marfim e Gana, que se beneficiam pelo fato de terem dentro de suas fronteiras as maiores produções de cacau do mundo.
Por Camila Souza Ramos | De São Paulo
Fonte : Valor
fonte: http://alfonsin.com.br/mercado-externo-salva-processamento-de-cacau/
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